1 - Introdução
O Mosteiro da Luz foi fundado e construído por Frei Antonio de Sant’
Anna Galvão, em 1774, sendo considerado, atualmente, um dos mais importantes
monumentos arquitetônicos coloniais paulistas do século XVIII. Encerrado
na última chácara conventual urbana, no Bairro da Luz, coração da cidade
de São Paulo, foi tombado pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico
e Artístico Nacional) em 1943, e pelo CONDEPHAAT (Conselho de Defesa
do Patrimônio Histórico, Artístico e Arquitetônico do Estado de São Paulo)
em 1979.
Este exemplar apresenta atributos específicos de grande relevância no
contexto da cidade pois, ao lado de sua singularidade arquitetônica (um
dos raros exemplos de planta octogonal do período) e histórica, abriga
o acervo de obras de arte religiosa do Museu de Arte Sacra de São Paulo,
conjunto de bens móveis tombados de grande expressão no cenário cultural
nacional e internacional.
2 - Frei Galvão, o Bairro e o Mosteiro da Luz
O Beato Frei de Antônio de Sant’ Anna Galvão nasceu em Guaratinguetá
- SP, no ano de 1739. Levou uma vida como um menino comum no seio de
uma família razoavelmente estabelecida até o final de sua adolescência.
Aos 21 anos de idade entrou para o noviciado da Ordem dos Frades Franciscanos
Menores (ofm), no Convento de São Boaventura na Província do Rio de Janeiro.
Depois de ordenado sacerdote, foi transferido para o Convento de São
Francisco de São Paulo. No ano de 1774 fundou o Recolhimento de Nossa
Senhora da Conceição da Divina Providência, hoje Mosteiro da Imaculada
Conceição da Luz. Havia no local uma modesta ermida, desde o ano de 1603,
fruto da obra de Domingos Luiz, conhecido como “o carvoeiro”.
Este devoto trouxe a imagem da Nossa Senhora da Luz (acervo MAS) da “Capela
do Piranga”, antigo nome do atual bairro do Ipiranga em São Paulo, para
os “Campos do Guará ou Guarepe”, nome primitivo do Bairro da Luz. Ali
foi construído o altar original do Mosteiro (acervo MAS), que representa
a origem do nome do bairro.
3 - Acervo do Museu
A coleção inicial do acervo foi organizada e sistematizada por Dom Duarte
Leopoldo e Silva, primeiro arcebispo de São Paulo. Firmado o convênio
entre a Mitra Arquidiocesana de São Paulo e o Governo do Estado de São
Paulo na década de 70, iniciou-se uma política de aquisições, ampliando
o acervo de forma significativa.
Atualmente o conjunto detém de cerca de 4.000 peças, provenientes das
principais igrejas e capelas do Brasil, abrangendo do século XVI ao século
XX, além de obras de arte sacra de outros países. As coleções compreendem imaginária
sacra, prataria e ourivesaria religiosas, telas, mobiliário, retábulos, altares, vestimentas
sacras e livros litúrgicos raros, que o tornam
o maior museu do gênero no país.
A coleção de lampadários do MAS é a segunda maior do
mundo em variedade, atrás apenas da existente no Museu do Vaticano. Não
menos importante é a coleção de ícones russos, se não
pela quantidade, ao menos pela sua expressividade e representatividade
desse importante segmento da arte sacra internacional. A coleção de relicários e sacrários é
também riquíssima.
Outra vertente tipológica muito bem representada é a Coleção de Numismática,
podendo apenas ela constituir o acervo de um museu específico do tema.
Há, neste sentido, possibilidade de explorar inúmeras variedades temáticas
como a medalhística militar, a medalhística
pontifícia, etc...
Desse modo, podemos afirmar que o Museu é depositário de importantes
relíquias do passado colonial e das influências culturais que marcaram
nossa história, sobretudo do movimento barroco que, embora deixado no
esquecimento nos períodos posteriores à vinda da Missão Francesa no Brasil
(dada a ampla absorção e aceitação dos movimentos neoclássico e eclético),
hoje retoma toda sua força e grandeza no universo artístico nacional.
3.1 Os Artistas
O Museu possui no seu precioso acervo peças de artistas reconhecidos,
escultores, pintores e ourives, entre os quais destacam-se Frei
Agostinho da Piedade (1580-1661), escultor ceramista português
e seu discípulo, Frei Agostinho de Jesus (1600 ou 1610-1661),
nascido provavelmente no Rio de Janeiro, ambos expressando magistralmente
a produção artística da imaginária sacra revelando a criatividade dos
ceramistas da ordem beneditina.
Obras de Manuel da Costa Athayde (1762-1830), Mestre
Valentim e Padre Jesuíno do Monte Carmelo (1764-1819)
são expressões significativas da arte religiosa abrangendo o período
que compreende os séculos XVI ao XIX, ao lado de Antonio Francisco
de Lisboa –
o “Aleijadinho” (1730-1814), nascido e falecido em
Vila Rica/MG, considerado o maior expoente da arte barroca brasileira.
Dentre as telas que retratam a temática religiosa, o Museu possui obras
de autoria de Benedito Calixto e Anita Mafaltti.
Por fim, além das obras dos artistas eruditos pertencentes às instituições
religiosas ou ao seu serviço, integra o acervo uma vasta produção de
artistas anônimos cujas peças, na sua simplicidade e originalidade, revelam
a interpretação popular dos modelos clássicos, manifestando traços específicos
da cultura local de seus autores.
4- Museu de Arte Sacra Na Estação Tiradentes
do Metrô
A importante parceria estabelecida a partir de 2003, quando o MAS ocupou
um espaço na estação Tiradentes do Metrô, proporcionou ao usuário a possibilidade
de entrar em contato com o acervo do museu.
Neste espaço, onde transitam milhares de pessoas, inserimos exposições
temporárias do acervo para que o público possa observar diversas obras
de arte que são facilmente reconhecíveis, como Santos Juninos, Nossa
Senhora Aparecida e Presépios despertando a curiosidade e incentivando
a visita ao Museu.
O ingresso a um real, democratizou o acesso permitindo que diversos segmentos
da população, que antes não tinham o hábito de freqüentá-lo, tenham contato
com o patrimônio ali exposto.
4.1 Do Edifício
O Mosteiro da Luz foi construído em taipa de pilão, técnica construtiva
amplamente utilizada em São Paulo devido à inexistência da pedra e da
cal na região. A terra, material disponível nos arredores da aldeia jesuítica,
tornou-se a alternativa viável para a construção de igrejas, edifícios
públicos e residências da época.
Socada com um pilão em formas denominadas “taipas” ou “taipal” introduzia-se
transversalmente pequenos paus roliços, envolvidos em folhas, geralmente
de bananeira, produzindo orifícios cilíndricos que permitiam o ancoramento
do taipal em nova posição. Essa arquitetura pode ser observada no Museu
na “Sala da Técnica Construtiva”, mantida em sua forma
original sem revestimento até os dias atuais, possibilitando o estudo
do modo de construir dos paulistas dos primeiros séculos.
4.2. Breve Histórico do Edifício
O Mosteiro da Luz caracteriza-se por ser uma edificação de alto grau
de complexidade, dada a natureza histórica do monumento que, desde a
fundação até o presente momento, já sofreu diversas modificações. O corpo
principal em torno do primeiro claustro e Igreja, correspondente à ala
ocupada pelo Museu de Arte Sacra nela instalada desde 1970, foi construída
em 1774, com a fachada principal voltada para o Centro, atual Rua Jorge
Miranda.
No ano de 1802, foi executado um novo acesso voltado para a atual Av.
Tiradentes, inaugurando-se uma segunda fachada principal, caracterizada
por uma galilé sob um frontão triangular.
Por volta dos anos de 1827 e 1835, esse frontispício foi novamente alterado
para receber a sineira atual e ampliou-se um lanço na ala conventual,
conforme registro iconográfico representado na aquarela de Miguel
Dutra datada do ano de 1835.
Entre 1835 e 1868 o frontão da antiga Igreja, rua Jorge Miranda, foi
modificado perdendo sua feição clássica com a inclusão de elementos barrocos,
conforme demonstram fotografias de Augusto Militão,
registradas nos anos de 1868 e 1875.
Em 1908 executou-se uma grande ampliação da ala conventual, sob o patrocínio
do Conde Prates, pelo lado esquerdo de quem observa o Mosteiro pela Av.
Tiradentes, construindo-se mais dois claustros, um edifício que seria
a residência que abrigaria o capelão do Recolhimento e a fachada recebeu
um tratamento neoclássico, linguagem estética bastante usual naquele
momento. Anos mais tarde, em 1928, todas as elevações da nova ala conventual
receberam tratamento neocolonial, buscando-se minimizar a discrepância
de estilos.
Em 1966, sob o acompanhamento de técnicos do DPHAN (atual IPHAN), foram
executadas obras de reforma em toda a cobertura do edifício. Nos anos
de 1969 e 1970, realizaram-se obras no piso térreo da ala antiga visando
a instalação do Museu de Arte Sacra.
A última intervenção no edifício, já caracterizada como obra de restauro,
data do ano de 1980, por ocasião da visita do Papa João Paulo
II ao Mosteiro da Luz, executadas por uma equipe composta por
técnicos do Museu, do IPHAN e do CONDEPHAAT, conforme registrado em memorial
descritivo.
5. Coleção de Presépios do Acervo do MAS
O Museu de Arte Sacra, instalado em uma das alas do Mosteiro da Luz
desde 1970 possui, em seu acervo, uma vertente tipológica absolutamente
singular, representada nos 130 conjuntos presepistas oriundos
de diferentes países e regiões do Brasil. Produzidos em técnicas diversificadas,
destaca-se o Presépio Napolitano, com suas 1620
peças do século XVIII, um dos últimos conjuntos
do gênero remanescentes no mundo.
Quatro continentes estão representados através de obras da Bolívia, México,
Peru, Chile, Espanha, França, Itália, Polônia, Portugal, Nigéria, Japão,
China, entre outros países. Diversas regiões brasileiras constam no acervo
como Bahia, Minas Gerais, Pernambuco, Rio de Janeiro, Santa Catarina,
etc. De São Paulo, destacam-se os presépios de ceramistas do Vale do
Paraíba, Aparecida do Norte, Taubaté, São José dos Campos, Guaratinguetá
e São Luiz do Paraitinga.
O patrimônio inclui peças dos séculos XVIII, XIX e XX, com obras de artistas
anônimos bem como de artistas consagrados como Fúlvio Pennachi e Mestre
Vitalino. Os materiais utilizados na confecção apresentam grande
variedade: terracota, madeira, metal, palha, cabaça, tecido, isopor,
entre outros.
Dada a peculiaridade desta coleção, está sendo adaptado para a função
museológica um espaço específico para exposição permanente deste acervo.
Trata-se de uma construção do ano de 1908, antiga residência do capelão,
edifício inserido no complexo arquitetônico do Mosteiro da Luz.
5.1 Presépio Napolitano
O Presépio Napolitano, que integra o acervo do Museu de Arte Sacra de
São Paulo, é um dos maiores conjunto do gênero existente no mundo, tratando-se
de raríssimo exemplar, comparável apenas aos conjuntos de Nápoles – Museu
de Nápole e de Nova York – Metropolitan Museum.
O conjunto, além da “Sagrada Família”, apresenta uma diversidade de personagens
profanos, ligados ao cotidiano de uma aldeia napolitana do século XVIII,
representado por várias profissões urbanas, bem como pastores e homens
do campo. Integram e dão vida às cenas inúmeros objetos, móveis, utensílios,
comestíveis e animais.
5.2 Os Artistas
A arte da montagem de presépios nasceu em 1233, em Greccio, pequena
cidade da Itália central, onde Francisco de Assis, o santo, idealizou
uma representação teatral do nascimento
de Jesus, conhecido como o primeiro presépio vivo. Aos poucos a arte
presepista difundiu-se, tornando-se uma das grandes manifestações artísticas
em Nápoles, a partir de 1700. Sua popularidade contribuiu para que surgisse,
naquele período, competições de presépios, nas quais a humanização das
cenas e figuras retratavam o modo de vida, hábitos e costumes da época
atribuindo aos presépios um realismo impressionante. Atualmente, além
de representar uma obra de arte de grande raridade, o Presépio Napolitano
constitui-se num importantíssimo testemunho material histórico e antropológico
acerca da sociedade napolitana do século XVIII.
Grandes artistas especializavam-se na reprodução, em barro, terracota
e madeira, de personagens típicos regionais. Alguns voltavam sua arte
para um determinado setor, isto é, mantinham dedicação exclusiva na modelagem
de tipos populares com seus traços físicos; outros dedicavam-se à modelagem
de animais; outros, ainda, especializavam-se na confecção dos acessórios.
À título de exemplo, podem ser citados Giuseppe Sammartino,
considerado o mais célebre dos artistas, especialista em figuras do Grupo
Sacro, os Magos, mulheres e homens nobres e orientais, pastores e camponeses,
com delicadeza e alto nível artístico, sendo de sua autoria a cena da
“Casa dos Ricos”, a Tarantella, a liteira, entre outros; Schettino,
dedicou-se na confecção de anjos, arcanjos e querubins, porém também
apresenta uma produção expressiva de acessórios e acabamentos como as
armas, bengalas, e alguns comestíveis; Celebrano,
representou um dos mais admiráveis artistas na criação dos tipos humanos
calvos e cheios de verrugas, entre outros.
Nesse conjunto, ainda podem ser citados artistas como Felice
Gori, responsável pela confecção da verdureira, dos músicos,
dos instrumentos musicais, dos tipos negros, do ferreiro, o cortejo dos
orientais e pastores; Matteo Botiglieri, músicos
e o chafariz; na confecção do cortejo e pastores participaram também Lorenzo
Mosca, Capiello, Somma, Celebrano e Ingaldi.
Todos os artistas citados eram conhecidos como Figurinai, isto
é, representavam grandes artistas napolitanos, cujas peças eram consideradas
de altíssimo nível e, por essa razão, podiam somente serem adquiridas
por reis e famílias nobres devido o alto custo. Em contrapartida, haviam
os Pupazzari, artesãos romanos que, estimulados pelos trabalhos
dos Figurinai, começaram a modelar figuras “pupazzi” para presépios.
Contribuíram muito para a difusão dos presépios, pois ao contrário dos
artistas napolitanos, suas figuras apresentavam preços mais acessíveis,
penetrando nas camadas mais populares.
O conjunto em questão, preciosíssimo pela alta qualidade, possui um total
de 1620 peças, das quais 390 são figuras
humanas, sendo que grande parte conserva ainda suas roupas originais.
A dimensão das peças varia entre dez e cinquenta centímetros. As cabeças,
braços, mãos, pernas , pés e outras partes expostas do corpo são talhadas
em madeira ou modelados em terracota; o corpo é formado por armação de
arame, enrolada com fios de estopa, dando às figuras maleabilidade, permitindo
não só a mais ampla liberdade na variação das posições e movimentos,
como também na composição de cenas e costumes da época. Atualmente evitamos
ao máximo movimentá-las por razões técnicas de conservação das peças.
O Presépio Napolitano apresenta, de modo geral, as seguintes cenas:
Natividade – A Sagrada
Família é envolvida por um vôo de anjos e cabeças de querubins, contemplada
por pastores, músicos e diferentes grupos étnicos. Compõem a cena 6 figuras,
12 arcanjos, 10 anjos, 27 querubins e 14 acessórios.
Os Músicos - Cerca de 9
figuras e 18 acessórios são distribuídas no início da escada que leva à cena
da Natividade, animando a chegada do cortejo dos Magos.
O Cortejo - Composto de árabes, indianos,
chineses, etíopes, pigmeus, caucasianos, tártaros, negros. A princesa Moura
traz em sua tenda cofres de veludo com jóias e ouro. Esta é também uma das
mais ricas cenas do Presépio, composta por 161 figuras e 145 acessórios.
O Chafariz – Onde encontram-se
camponesas de Amalfi, provincianas, vendedores ambulantes e o amolador de facas.
A Casa Rica – Surpreende-se o momento da ceia com
figuras de Giuseppe Sammartino, a volta da mesa guarnecida
de toalha de renda e bordados, baixela de prata, porcelanas, etc. Compõem a
cena 5 figuras e 56 acessórios.
A Tarantella – Dança típica que, neste caso, anima
a festa natalina. Composta por 9 figuras e 7 acessórios.
Cenas ligadas ao trabalho cotidiano do vilarejo –
comparecem nestas personagens como ferreiro, com 3 figuras, 2 animais
e 18 acessórios; sapateiro, 2 figuras e 23 acessórios; barbeiro,
5 figuras e 7 acessórios; verdureira, 4 figuras e 32 acessórios; osteria,
7 figuras e 60 acessórios, Ponte, com15 figuras e
8 acessórios, entre outras.
O Presépio Napolitano apresenta, de modo geral, as seguintes
cenas:

5.3 História da Coleção no Brasil
A idéia de um “Museu de Presépios” teve início em 1949, quando Francisco
Matarazzo Sobrinho, o Ciccillo, trouxe da
Itália um exemplar do precioso presépio napolitano do século XVIII,
composto por 1620 peças, semelhante aos do Palácio Real de Nápoles
e da Basílica de São Cosme e Damião, nas ruínas do Fórum Romano.
Inicialmente Ciccillo quis doá-lo à Catedral paulista, mas o conjunto
só foi exposto pela primeira vez na Galeria Prestes Maya em 1950. O cenógrafo
Tullio Costa ambientou o conjunto numa paisagem napolitana, que não reproduziu
nenhum presépio ou paisagem existente, mas foi inspirada na arquitetura,
nos costumes e no folclore da Itália meridional do século XVIII, vistos,
é claro, por homens do século XX. As miniaturas de casas foram construídas
tijolo por tijolo e cobertas com telhas verdadeiras fabricadas especialmente
para esse fim. As vielas e as praças foram também calçadas com pedras
preparadas e colocadas uma a uma. As variadas cenas foram idealizadas
por Costa e por Ítalo Bianchi, ele também cenógrafo teatral.
O Presépio permaneceu exposto na Galeria por onze meses, sendo desmontado
para a instalação das escadas rolantes. As peças foram retiradas em 1951
e recolhidas à Metalúrgica Matarazzo, onde ficaram aguardadas por cinco
anos. A lei municipal nº 5093 autorizaria a Prefeitura a receber a valiosa
doação.
Eleito presidente da Comissão dos Festejos do IV Centenário da
Cidade de São Paulo, Ciccillo conseguiu um espaço no antigo
Pavilhão do Folclore sob a grande “Marquise” do Parque do Ibirapuera,
onde o conjunto permaneceu exposto por quinze anos. Durante este período,
outros presépios foram sendo adquiridos conferindo à coleção a feição
museológica.
No ano de 1970 foi doado ao Governo do Estado de São Paulo, passando
a integrar o acervo do Museu de Arte Sacra. Contudo, problemas de conservação
das estruturas da marquise obrigaram a fechar o espaço em dezembro de
1985.
5.4 Montagem Atual
No contexto de reestruturação do Museu de Arte Sacra, acreditou-se que
esta importante coleção de tipologia específica deveria contar com um
espaço expositivo em caráter permanente, pois desde 1985 o Presépio era
exposto apenas esporádica e parcialmente (somente a cena da Natividade)
e em locais alternativos.
O edifício que hoje abriga permanentemente o Presépio Napolitano, antiga
residência do capelão datada do ano de 1908, contíguo ao Museu, foi reformado
propiciando um ambiente museológico adequado e a correta instalação do
acervo, dentro dos critérios atuais de preservação e conservação de obras
de arte.
Na montagem atual escolhida para o Presépio Napolitano do Museu de Arte
Sacra, optou-se por seguir a concepção das montagens napolitanas características
do século XIX, nas quais os conceitos panorama e diorama ressaltavam
a percepção da coleção como um conjunto unitário, conservando os caracteres
das montagens no Brasil elaboradas por Tullio Costa. Desse modo, pudemos
proporcionar uma leitura ligada à própria história da coleção, consolidando
a tradição dessa forma de apresentação das peças ao público paulistano.
Contudo, foi verificada a inadequação de alguns elementos do antigo cenário
do presépio, que incluía uma série de produtos não recomendados para
a conservação das peças devido à volatização de produtos químicos e à
liberação de compostos nocivos que aceleravam a degradação dos materiais
constitutivos das peças do conjunto.
Diante da impossibilidade de reutilização do cenário anterior, em janeiro
de 1998 foi iniciado o projeto de implantação definitiva do acervo, tomando
como premissa fundamental a preservação e conservação das peças. O cenário
atual (aldeia napolitana do século XVIII) foi executado por uma equipe
especializada, com materiais cientificamente analisados pelo CECOR –
Centro de Conservação e Restauro da Universidade Federal de Minas Gerais,
de forma a não prejudicar a integridade física das peças. A partir desses
estudos, foram definidos os materiais que poderiam ser utilizados na
cenografia, de caráter inerte e baixos índices de emissão ou migração
de componentes nocivos.
Em seguida, foi executada a maquete volumétrica para a visualização espacial
dos núcleos cenográficos, onde foi respeitada a perspectiva e a variação
de escala das peças, medidas e catalogadas uma à uma.
Como suporte desse cenário, foi confeccionado artesanalmente uma estrutura
metálica, ao contrário da antiga, construída em madeira e bastante infectada
por cupins. A nova estrutura é composta por módulos fixos e móveis, permitindo
o acesso dos técnicos para a manutenção das peças, isoladas do espaço
de circulação do público por um vidro. No interior, uma série de equipamentos
de monitoramento ambiental possibilitam o controle de temperatura, umidade,
poluentes, etc., atendendo às exigências e as normas de conservação,
bem como mantendo condições de segurança.
Processos de Tombamento
IPHAN
Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional
Processo nº 325/1943
Livro de Tombo Histórico
Inscrição nº 282-A
Obra: Mosteiro e Igreja da Imaculada Conceição da Luz e respectivo quintal
Natureza da Obra: Arquitetura Religiosa
Observações: O tombamento inclui o parque do Mosteiro
Processo nº 818/1969
Livro de Tombo das Belas Artes
Inscrição nº 492
Objeto: Coleção de Arte Antiga, Religiosa que constitui o acervo do Museu
de Arte Sacra.
CONDEPHAAT
Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e
Turístico do Estado de São Paulo
Processo nº 22057/82
Tombamento ex-offício em 27/8/79 e 12/5/82
Obra: Arquitetura Religiosa
Processo nº 22013/82 ex-offício
Coleção do Museu de Arte Sacra de São Paulo.
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